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Antes de mais tenho que Partilhar algumas coisas…

Esta não foi uma gravidez planeada e na altura em que percebi que “ups, agora já está” não foi de certeza um dos melhores momentos… não estávamos em momento mel da nossa relação como casal e tínhamos objectivos bem diferentes, pós-recuperação de cirurgia ortopédica, mudança de trabalho, projectos sobre voltar a estudar e tirar a especialidade…

Confesso, apesar de já termos falado sobre o assunto (numa eventualidade/deslize engravidasse iríamos assumir e seguir em frente), precisei de algum tempo para aceitar e ficar genuinamente feliz. Além disso, sei que a probabilidade de aborto nos primeiros meses é considerável, sentia-me culpada por ter acabado de mudar de serviço para colmatar a falta de pessoal (na sua maioria por gravidez de risco e licenças de maternidade) e agora seria a próxima…

Já agora, eram dois… Sei que possivelmente não teve nada a ver com o assunto (pois tenho outras alterações que podem justificar e também é relativamente frequente) mas não me esqueço que foi após um “grande stress” no novo serviço que Um , por volta das 10 semanas “ficou pelo caminho“. Tenho noção que me exaltei mesmo muito, não aparentemente pois mantive a minha “poker face“, mas por dentro estava mais quente que o centro nuclear de uma central atómica, nos dois/três dias seguintes senti-me mesmo mal, ansiosa, nervosa, cefaleias taquicardia, tonturas, tinha as tensões bem acima do meu habitual… Uma semana depois a Obstetra disse-me que não via batimentos cardíacos e já se notava uma discreta alteração no tamanho entre os dois.

O primeiro trimestre foi passando, muitas dores abdominais, os seios OMG nem a roupa lhes podia tocar, duros, dolorosos e inchados, ciática, muitas náusea, algum cansaço e muita sede… O choque de saber que eram dois (para isso não estava mesmo nada preparada) e depois afinal só um continuou viável.

Contamos a pouquíssimas pessoas no início e por volta das 13 semanas lançamos a novidade a família a amigos! Tinha chegado o momento de inevitavelmente contar no serviço… Fui acarinhada e por alguns (os mais importantes para mim) foi sem  dúvida genuíno! Ajudou a tirar um pouco o sentimento de culpa que tinha.

Ecografia perfeita! E vêm as análises… Alterações hematológicas, diabetes gestacional e uma PAPP abaixo do normal correlacionada com possíveis alterações de fluxo do cordão. Lembro-me perfeitamente da cara  e da ruga entre sobrancelhas da Obstetra no serviço (onde pedi para espreitar os resultados antes da consulta), “humm, estou a ver que vai ser uma grávida interessante… Vai-nos dar trabalho…”

Sim, sou enfermeira, sim estou num serviço de obstetrícia, mas como costumo dizer eu percebo é de cabeças, drogas, emergência e intensivos… Se estava ainda com alguma dificuldade em aceitar a gravidez, então fiquei ainda menos convencida mas, pelo outro lado, há um sentimento estranho…

Temos vida dentro de nós!

 

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